A Conferência Global da SITE (Society for Incentive Travel Excellence), realizada em Abu Dhabi, evidenciou que o mercado de viagens corporativas e incentivo atravessa uma transformação estrutural impulsionada por inteligência artificial, redesenho de experiências e crescente complexidade financeira internacional
*Por Sandro Ari Pinto
O setor não é marginal. Segundo a Global Business Travel Association (GBTA), o mercado global de viagens de negócios deverá ultrapassar US$ 1,8 trilhão até 2027, consolidando-se como um dos segmentos mais relevantes da economia global de serviços. Dentro desse universo, as viagens de incentivo vêm ganhando peso estratégico. Relatórios de mercado da Allied Market Research indicam crescimento consistente do segmento de incentive travel, impulsionado por estratégias de engajamento, retenção de talentos e fidelização de clientes.
A IA entra no núcleo estratégico
A digitalização do setor acelera essa transformação. Estudos da McKinsey & Company sobre o futuro da indústria de viagens e hospitalidade apontam que a adoção de inteligência artificial vem crescendo rapidamente em áreas como personalização de experiências, automação de processos e análise preditiva. Durante a conferência, ficou evidente que a IA já é utilizada por grande parte das organizações para criação de conteúdo, planejamento de destinos e modelagem de experiências. O movimento sugere que a tecnologia deixou de ser experimental e passa a integrar o núcleo estratégico da indústria.
Debates conduzidos por especialistas em inovação destacaram a evolução para modelos colaborativos entre inteligência humana e sistemas inteligentes. A tendência não é substituição, mas ampliação de capacidade: enquanto a IA assume tarefas analíticas e operacionais, criatividade, visão estratégica e relacionamento permanecem centrais. O próprio World Economic Forum, em seu Future of Jobs Report, identifica criatividade, pensamento crítico e colaboração como habilidades em ascensão em um cenário de expansão da inteligência artificial.
Pagamentos internacionais no centro da discussão
A expansão global do setor traz implicações diretas para fintechs e empresas de meios de pagamento.
Programas de incentivo, feiras internacionais e eventos corporativos envolvem:
• Contratações internacionais
• Operações em múltiplas moedas
• Processamento transfronteiriço
• Compliance regulatório
À medida que plataformas digitais se tornam mais automatizadas e integradas, cresce a necessidade de soluções financeiras capazes de acompanhar transações internacionais com eficiência, menor fricção cambial e integração tecnológica. Para o ecossistema representado pela PAGOS – Associação de Fintechs e Empresas de Meios de Pagamento, essa convergência entre experiência e infraestrutura financeira representa uma agenda estratégica.
Incentivo como ferramenta de fidelização
Outro ponto recorrente no evento foi o reposicionamento das viagens de incentivo como instrumento de diferenciação competitiva.
Empresas vêm utilizando experiências corporativas para:
• Engajar equipes comerciais
• Fortalecer cultura organizacional
• Fidelizar parceiros B2B
• Diferenciar-se em mercados altamente competitivos
Em um ambiente de margens pressionadas e alta competição tecnológica, experiência passa a ser um ativo estratégico.
Convergência estrutural
A principal percepção deixada pela conferência é a convergência entre tecnologia, experiência corporativa e infraestrutura financeira global. O setor de incentivo entra em uma fase mais digital, mais integrada e mais estratégica. Essa transformação não é apenas operacional. É estrutural.
*Sandro Ari Pinto é vice-presidente de Marketing e Parcerias da PAGOS – Associação de Fintechs e Empresas de Meios de Pagamento, consultor no ecossistema de inovação financeira e apresentador do programa Business Rock.